Archive for janeiro \20\UTC 2011

20/01/2011

Quando o casamento acabou, os filhos foram com a mãe. Ele quis ficar com o apartamento. Não atendia mais os amigos, não olhava as plantas, calou-se, até sumir dentro do seu quarto.

Fechou porta e janela para a vida e as alegrias

16/01/2011

Vivia sem tempo, preocupado e muito no meio das gentes. Não lhe sorria o dia.  Da madrugada, gostava. Do silêncio e dos ventos da noite. Era no escuro que se via.

Lo visible es la manifestación de lo invisible

13/01/2011

O relógio e o sapato antigos combinavam com o óculos antigo. Saía sempre sozinho para rua, levando junto também todos os seus pensamentos antigos.

E ainda só gostava de se ver em fotos antigas

11/01/2011

Caminhava distraído, quando viu um rapaz no chão. Olhou para os lados, não havia ninguém por perto, e se aproximou. Você está bem? O moço virou o rosto: acho que caí de fome, disse. Ao voltar com um pão e um copo de suco, eles apenas se olharam. À noite, um se lembrou do outro. Doíam.

O amor é fogo que arde sem se ver

09/01/2011

Passava por ele todos os dias. Olhava sempre de lado. Quando correspondia, baixava a cabeça e seguia. Em casa, sonhava com o príncipe. Amanhã, falo com ele. Que fosse mesmo amanhã. Só assim para manter o encanto.

Os dias lembram alguém que eu esqueci

07/01/2011

Acordava tarde e chegava correndo. Saía apressado. Fumava. Comia pouco, bebia. Ficava sem ar, se respirava. Cansava-se só de deitar, pois não dormia. Corria da noite, levantava. E se já era dia, reclamava que assim não vivia: sufocava.

Quem castiga nem é Deus é os avessos