Archive for dezembro \20\UTC 2010

20/12/2010

Caríssimos (as),
é tempo de descanso, tempo de praticar mergulhos necessários. O escafandrista estará de volta em janeiro. Obrigado, mesmo, a todos e a todas pelas mais de 3 mil visitas, pelos comentários todos e pela companhia em 2010. Boas festas e comemorações pra vocês. Um abraço e até breve!

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus! ,
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo. 
Esse homem é brasileiro que nem eu.
(Trecho de Descobrimento  – Mário de Andrade)

17/12/2010

Saía de casa pela primeira vez desde que havia voltado a viver na cidade. Caminhou pelas ruas por onde já tinha estado anos antes. Apesar do tempo, reconhecia todas as esquinas, as cores, os cheiros. Mas as pessoas eram outras. Ela também não podia ser a mesma.

Não se pode entrar no mesmo rio duas vezes

15/12/2010

Estavam nus na cama. Deitados e sujos. Um olhando para o outro calado de olhos fechados. Os meninos dormiam depois de um longo dia de brincadeiras cansadas.

Foi ele quem me disse: a flor do campo é o alecrim

13/12/2010

Estava na rua, quando começou a pingar. Tentou correr, mas a água caiu muita e com pressa. Já toda molhada, resolveu se entregar. Não se lembrava de ter tomado banhos de chuva antes. E gostou: descobriu que a liberdade era mesmo para poucos.

La libertad es una niña hermosa y pura

10/12/2010

As mãos sozinhas às vezes levantavam e forçavam o equilíbrio. Quando caiam gotas no chão, a poeira subia em suas pernas. Parece que a terra agradecia a água pouca que fervia. Sem olhar, a senhora acostumada com a lata na cabeça caminhava. Ela nunca desistia.

A lata não mostra o corpo que entorta

08/12/2010

Estava fugida de dias, sumida de tronco. Escrava cansada, ajoelhada sobre um rio. Bebia das águas para repor os choros. E voltava a correr na mata com a força da liberdade.

Benditas são suas águas doces que lavam meu ser