Archive for novembro \30\UTC 2010

30/11/2010

Decidiu largar o emprego e despediu-se dos amigos. Fez as malas. Passou chave na sua única porta e saiu. Partiu sabendo que só assim poderia voltar.

Quem sofre tem que procurar razão para viver

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27/11/2010

Chegou à noite e se viu sem luz. Esquentou o resto da comida fria da geladeira apagada no fogão com fósforo. Comeu sem saber o que. Deitou sozinho sem fazer barulho. Tudo escuro. Sem se ver, dormiu.

Dormiu daquela vez sem querer que fosse a última

25/11/2010

Com a maçã na mão, o menino ia sentado no ônibus. Balançava o pé sem alcançar o chão. O olho preto para os carros e o barulho da roleta. Mas o garoto só via sua maçã na mão. Não sentia as injustiças, nem as fomes. O menino e a sua maçã do amor na mão.

Há um lugar onde os sonhos extraviados vão parar?

23/11/2010

A moça negra lá do alto, do sei lá qual andar, dependurava no vidro a limpar a janela. Cá embaixo, o rapaz de preto sentado no ponto de ônibus subia a cabeça e, por vezes, via a mulher se equilibrando no prédio. Não pensavam em nada. E os dois nem sabiam que estavam juntos na mesma avenida cheia de carros e pessoas que não param.

Estamos muito próximos, mesmo sem querermos

21/11/2010

Carecia de moral. De força, de brio. Era elogiado, admirado e respeitado dia e noite. Mas carecia de alegria, de coração, de valentia. Era ele e as suas riquezas: careciam todos de coragem.

Senhor orgulho, não há quem lhe envie flores

19/11/2010

Os caras chegaram há pouco. A gritaria e os tiros atrapalharam a reza das mães. Os choros de todas, sem ritmo, apagaram as velas. Mas, às mulheres, restaria sempre a dor.

Me salva, Ogum, perdi meu filho e não foi o único