Archive for setembro \29\UTC 2010

29/09/2010

Por ele deitado ali passavam sempre animais e pessoas. Uns olhavam, todos ignoravam. Alguém parou um dia e quis saber seu nome. Ele estranhou a pergunta, mexeu o cabelo na testa e abriu os olhos: me chamam de tudo, mas meu nome é João.

Nasci do bueiro, não. Nasci homem, seu moço

27/09/2010

O velho começava a desvelar os mistérios, e descobria a vida com a idade que tinha. Diferentemente do que diziam, sabia que o tempo não lhe era curto. Sua urgência sempre podia esperar.

Não importo com a idade em mim; gosto é do gasto

25/09/2010

De aniversário em aniversário, as 3 se encontravam na cozinha da grande casa. Avó, mãe e filha, juntas, passavam o dia conversando. Quando acabavam, tinham muito mais que um bolo pronto: saiam com os laços apertados e cheias de açúcar.

O amor entre as mulheres dispensava juramentos

23/09/2010

Vivia sob as censuras de seu homem, de seus filhos, de sua mãe. Um dia, na cozinha, cansada, soltou uma gargalhada. Surpresa, a casa cheia tremeu: era ela com um riso que encarnava a sexualidade na sua falta de comedimentos e que envergonhava os pensamentos puros. Estava rompida desde já e para sempre.

O rio profundo correu o seu corpo: ela estava viva

22/09/2010

Quando perguntado sobre sua cor, não conseguia responder. Sabia que branco não era. Sua ancestralidade, seu cabelo, seu sangue, seus desejos: tudo era negro. Ao mesmo tempo, se dissesse ser negro, seria injusto para com quem tinha a pele preta de fato. Com sua cor morena, não sofria preconceitos, não era discriminado. Mas sabia que era negro, sim, e queria que estivessem todos juntos com ele.

Doía o fato simples de se deparar com a pergunta

21/09/2010

O menino comeu pouco, não que tivesse muito. Passou o dia calado. Havia toda a noite ouvido ela chorar. Tenho que crescer logo, crescer logo pra ajudar minha mãe.

Ángel que pasa, besa y abraza. Ángel para un final