Archive for junho \21\UTC 2010

21/06/2010

Acordou inspirado. Iria mudar o mundo naquele dia. Lutar contra as injustiças. Mas bateu uma preguiça, voltou pra cama e dormiu.

O poster estava lá, colado na parede do seu quarto

20/06/2010

Saramago chegou ao inferno pontualmente. E sorriu ao ficar sabendo que dividiria o quarto com Machado de Assis e Camus.

O lugar era movimentado: isso agradava aos ateus

E morrer, Saramago? Medo da morte, não

19/06/2010

Quando vi a notícia da morte de José Saramago, a primeira coisa que veio à minha cabeça foi: perdemos mais um comunista. Depois pensei em sua literatura: é preciso abrir os olhos para o outro.

Tenho admiração profunda pelo homem escritor: seu amor pelo próximo, sua opinião sobre a Palestina, sua defesa de Cuba (mesmo com críticas), seu inconformismo e sua obra.

Em 2005, participei de uma entrevista coletiva com Saramago. A conversa foi em Belo Horizonte, no Palácio das Artes, no lançamento mundial de “As Intermitências da Morte”, livro que fala sobre um país fictício onde, de uma hora para a outra, as pessoas simplesmente deixam de morrer.

30 de outubro de 2005

Por que o senhor escolheu o Brasil para o lançamento do livro?

Não escolhi, não é que “ah, eu gosto muito do Brasil, então vim fazer o lançamento aqui”. Não, acontece que tinha que estar na semana passada em Buenos Aires por causa do prêmio “Clarín”, eu fiz parte do júri, e isso coincidiu exatamente com a possibilidade de lançar o livro.

Como foi o processo de criação de seu novo livro? De onde surgiu a idéia?

Estava a ler um livro e, por acaso, de repente, apresentou-se-me o seguinte: e se nós não morrêssemos? Foi algo muito semelhante àquilo que se sucedeu quando se me apresentou a idéia do livro O Ensaio sobre a Cegueira: e se nós fôssemos todos cegos? Enfim, partir d’algo que é impossível, improvável, como é o caso de ficássemos todos cegos ou que, de uma hora para outra, deixemos de morrer. Ao partir, então, de propostas que contém uma improbabilidade e, até mesmo, uma impossibilidade, criar um discurso racional, e, fazendo com que o leitor possa aceitar como algo que tem que ver com ele.

Seu livro é considerado um dos mais bem-humorados, apesar de falar sobre a morte. O senhor concorda com isso?

Eu o escrevi assim, e se o fiz assim eu concordo, então.

Falar de morte é também um jeito de tratar da vida? Inclusive com as críticas que o senhor faz no livro às instituições governamentais, à igreja…

Vamos imaginar realmente que a morte desapareceria. Aparentemente seria estupendo, não? Não iríamos morrer mais, tal. Mas seria um desastre, seria o caos. E com esta idéia de que a morte deixasse de cumprir sua função, viria algo que continuaria, que seria o tempo. E como o tempo continuaria a estar aí, nós iríamos crescendo, envelhecendo e como não morreríamos, íriamos adoecendo, então estaríamos condenados a uma espécie de velhice eterna, que ainda seria pior que a morte.

No seu livro, há uma certa ironia sua com a morte…

Eu me recordo que, quando eu era garoto, lá na aldeia, às vezes tinha dias que tinha que passar por um cemitério. Quando passava, eu assobiava…

Nunca teve medo da morte, Saramago?

Medo da morte, não. Quando tinha 16, 17, 18 anos, tinha consciência de que efetivamente um dia haveria de morrer, mas isso depois, durante todos esses anos, nunca mais me incomodou.

Se, como no livro, o senhor descobrisse que não iria morrer mais, como seria para o senhor?

Ficaria aterrado (aterrorizado) (risos). Se na espécie humana houver uma velhice eterna, porque a pessoa deixa de morrer, ficando sempre cada vez mais velha… é capaz de imaginar ser velho durante a eternidade, já com as faculdades mentais diminuídas, sem força, com doenças (porque estas não iriam desaparecer)? É bom morrer, não?

Muita gente vive de explorar a morte alheia?

Sim, hoje o melhor de certo modo é não morrer, porque o funeral é tão caro que dá vontade até de nem morrer.

Um dos personagens do seu novo livro é violoncelista. A música interferiu no seu processo de linguagem?

Não, evidentemente que não. O que acontece é que eu tinha que escolher uma personagem para se enfrentar com a morte, esta é a situação, um pouco ambígua, em que a morte quer matar, mas não pode, e a pessoa que supostamente haveria de estar morta não sabe simplesmente que já devia estar morta. Depois de tantos personagens, aconteceu-me que, desta vez, este fosse músico, e como eu gosto muito de violoncelo, um instrumento nobre, com um som muito bonito, essa é a razão por ele ser violoncelista.

Como é isso de você não dar nomes a personagens em muitos de seus livros?

Ás vezes não vale a pena. Há romances que ficam exatamente idênticos se eu desse nomes. Por exemplo, o Ensaio sobre a Lucidez. Nele, há a mulher médica, o comissário, há pessoas da cidade, tal. Em muitos casos, se desse nomes, não mudaria nada.O leitor entra na história da mesma maneira. Às vezes, sim, é necessário, como em Ano da morte de Ricardo Reis e em O Homem Duplicado. Nestes casos, evidentemente que tem que haver pessoas com nomes.

O senhor tem um livro que nunca foi publicado, o Clarabóia

E não será enquanto eu vivo.

Por quê?

Porque eu não quero, simplesmente. Não, é porque não vale a pena. Publicar agora fica como uma espécie de oportunismo comercial. “Ah, agora vai aparecer um livro da juventude do Saramago”. Não, não quero. Não o destruo, se eu quisesse destruí-lo, já o teria feito, mas publicá-lo em vida, não creio que vale a pena.

Como é sua relação com o texto, o livro pronto?

Fico muito contente… Já ler os livros de novo, tudo quanto escrevi, não o faço.

Os seus livros têm uma ligação muito forte com a oralidade. Li uma vez que o senhor espera que o público pense seu livro em voz alta.

Isso tem que ver com falta de sinais ortográficos, como travessão, exclamação, reticências. De fato, de uma certa maneira, a exclusão de tudo isso dificulta um pouco a compreensão da leitura, não é que empeça, apenas dificulta um pouco pra quem não está habituado. O que eu então recomendava? Para entrar dentro do texto, ler uma ou duas páginas em voz alta, assim, o leitor entra imediatamente…olha, como se o autor propusesse ao leitor um pacto e que o leitor só pudesse perceber que o pacto lhe é proposto após uma leitura de uma ou duas páginas em voz alta, e a partir daí não teria mais dificuldade.

A entrevista foi retirada do site do Palácio das Artes.

"Sou comunista e irei sê-lo até o fim da minha vida, pois não há razão para não ser"

18/06/2010

Acendeu as luzes, desligou todos os telefones, trancou as portas e foi para o quarto dormir sem mais acordar.

Só vivo porque posso morrer quando quiser

17/06/2010

O chefe gritou: Surpresa! E apareceram nuas todas suas colegas de trabalho. Mas aí ouviu outro grito: Acorda, amor, você vai se atrasar.

As colegas de trabalho nem eram tão bonitas assim

16/06/2010

Fez uma carta brava. Queria terminar o namoro. Mas bastou ele sorrir, e chegar com flores, para ela escrever uma outra: agora, de amor.

Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas